Hiroshima mon amour (1959) – Alain Resnais

Poderia dizer que a minha paixão pelas artes asiáticas começou quando li pela primeira vez, sentada na grama da Faculdade, o livro “O amante” de Marguerite Duras. Eu já tinha uma pré-disposição a amar os orientais, desde pequena, porém, depois de ser levada pelas palavras e o envolvimento contado no livro entre uma francesa e um chines eu logo me vi encantada.

Foi então que na mesma época eu tive o prazer de assistir pela primeira vez a “Hiroshima mon amour” - agora mudávamos de foco e era um japones envolvido com uma francesa novamente.  Tudo me diz que tem um pouco de Marguerite ali. Cada detalhe, cada sensação e sentimento. É tão real.

Uma atriz em visita a Hiroshima a trabalho. Um arquiteto japones que está sem a família na cidade. Apenas dois dias. Um amor que jamais será esquecido.

O filme trata com tanta presteza da memória. As coisas que se quer esquecer e acha que se esqueceu, mas que voltam com tanta facilidade quando se toca nelas.

Acho interessantísssimo o modo como ele se desenvolve, um grande “bafo” para a época que foi filmado. Fiquei pensando e analisando aqueles dois no bar e aquela mulher linda e francesa bebendo cerveja como quem precisa daquilo para poder desabafar. Não tinha limites, não haviam esconderijos para aquela conversa e aquela cumplicidade que se formava ali.

É tão duro ter que esquecer. É tão difícil falar do passado, mas ao mesmo tempo, é incrível como com algumas pessoas isso acontece sem nenhum planejamento, é espontâneo. E era assim que acontecia entre aqueles dois.

Também interessante e chocante, são as cenas iniciais, onde mostram imagens das catástrofes causadas pela maldita bomba atômica que por lá destruiu tantas vidas, deformou tantas pessoas, acabou com tantos sonhos.

Além de ser um grito revoltado contra o acontecido, ele retrata a verdade das relações humanas no seu mais profundo modo. A memória, que lembra tanto as coisas de Kar-wai.

Não consigo não assimilar obras da Nouvelle Vague francesa ao cinema de Kar-wai. Godard, Resnais…

Fica aqui a dica, para quem não viu e para quem viu há muito tempo, como eu, vale a pena assistir novamente com outros olhos, talvez mais maduros e amaciados pelas memórias e a passagem do tempo.

~ por Sara em Julho 24, 2009.

5 Respostas to “Hiroshima mon amour (1959) – Alain Resnais”

  1. Menina, eu tava saindo de casa pra passar na locadora. Taí. Adorei a dica. (e não esquece que eu quero te ver na próxima semana). bjo e bom final de semana pra ti!

  2. uma amiga minha viu este ano no Cinema, numa mostra nouvelle vague e me escreveu dizendo que o filme de Resnais tinha muito de kar Wai. Ainda não vi esse filme – uma falha na minha formação, certamente – mas imagino o quanto ele é especial e arrebatador, pela sua descrição. Obrigada por postar isto aqui. Beijos, saudades!

  3. Por ustedes he decretado aprender portugués.

  4. Luis, obrigada por estar sempre aqui!
    Gentileza sua aprender português para nos entender melhor.

    Gracias!

    Beso

    Sara

  5. Carmem, fico feliz em saber que você assistiu ao filme e também gostou.
    Beijos

    Sara

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