Zen – Takahashi Banmei (2009)

•outubro 24, 2009 • Deixe um comentário

Zen começa no Japão.  Dogen é um garotinho, relembrando os últimos momentos que passou junto a sua mãe. A partir daí inicia a jornada dele a procura do verdadeiro Budismo. Anos se passam e logo ele está indo a China em busca dos ensinamentos dos metres e verdadeiros seguidores de Buda.

Então ele está na China e se torna um verdadeiro monge e mestre budista, depois de vários anos de meditação e aprendizado.

Volta ao Japão com a intenção de meditar e divulgar a verdadeira essência do Budismo. Claro que nesse meio tempo os conservadores o atacam, acabam com seu templo humildemente construído com a ajuda de outros monges que se converteram aos seus ensinamentos.

O filme é uma aula de budismo e de como viver a vida. Os passos, a meditação, o não ser egoísta e a frase máxima do filme: “O budismo está em tudo”.

Lindo.

Daisy (2006) – Andrew Lau Wai-Keung

•outubro 22, 2009 • 1 Comentário

Daisy é um daqueles filmes que te prendem porque a história vai num crescente que te deixa ao mesmo tempo que angustiada, tensa e esperançosa.

É a história de uma moça, artista, que espera pelo grande amor. Ela começa a receber margaridas de um admirador secreto e não sabe quem ele é nem de onde ele vem.

A trama parece boba, porém, a história dá uma volta impressionante, onde o bandido é também mocinho que a gente se apaixona. O mocinho é tanto quanto o bandido apaixonante.

Escolha o seu, amarre seu coração num lençol e prepare-se para chorar um pouco.

Um drama típico coreano que eu, particularmente, adoro.

Tôkyô sonata (2008) – Kiyoshi Kurosawa

•setembro 2, 2009 • 2 Comentários

protectedimageTive o prazer de vislumbrar já há algumas semanas o filme “Sonata de Tokyo”. Foi com grande emoção que passei o filme todo achando tudo muito triste e simbólico e, ao mesmo tempo, tão real na nossas vidas.

O filme relata a vida de um pai de família que perde o emprego que tinha há anos e vai para as filas enfrentar a vida, já em idade avançada, mostrando assim o problema social passado pelo Japão com relação ao desemprego.

O que mais impressiona na película é a maneira como é mostrada o modo totalmente patriarcal e, muitas vezes até “ignorante”, de ser a família japonesa.

O pai não conta a família sobre o desemprego e passa os dias em filas de agências e comendo em centros comunitários. Enquanto isso, quando chega em casa, mantém aquela postura de “dono da família” e mandatário de todos os problemas familiares.

Uma cena que muito me impressionou foi quando ao sentarem para o jantar, todos aguardam ele tomar a cerveja, e depois disso apenas, que podem começar a se alimentar.

Outro fato impressionante, é a mostra de como a vida econômica pode abalar o ser  humano, como no exemplo mostrado, onde um homem se mata e também a sua família depois de ter cansado de procurar empregos, sem sucesso.

Tokyo Sonata mostra também a grande dificuldade dos pais se relacionarem com os filhos. Um deles queria servir ao mundo e foi para o exército, o outro apenas queria tocar piano. Nada disso é apoiado pelo pai, mas sim, e somente, pela mãe.

Para mim, uma das melhores cenas que já vi na vida:

Aconselho aos corações fortes e mentes equilibradas, rs.

Um belo filme.

Trailer:

All the memories are trace of tears…

•agosto 9, 2009 • 2 Comentários

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Bela montagem de imagem, por Junipergirl

Hiroshima mon amour (1959) – Alain Resnais

•julho 24, 2009 • 5 Comentários

Poderia dizer que a minha paixão pelas artes asiáticas começou quando li pela primeira vez, sentada na grama da Faculdade, o livro “O amante” de Marguerite Duras. Eu já tinha uma pré-disposição a amar os orientais, desde pequena, porém, depois de ser levada pelas palavras e o envolvimento contado no livro entre uma francesa e um chines eu logo me vi encantada.

Foi então que na mesma época eu tive o prazer de assistir pela primeira vez a “Hiroshima mon amour” - agora mudávamos de foco e era um japones envolvido com uma francesa novamente.  Tudo me diz que tem um pouco de Marguerite ali. Cada detalhe, cada sensação e sentimento. É tão real.

Uma atriz em visita a Hiroshima a trabalho. Um arquiteto japones que está sem a família na cidade. Apenas dois dias. Um amor que jamais será esquecido.

O filme trata com tanta presteza da memória. As coisas que se quer esquecer e acha que se esqueceu, mas que voltam com tanta facilidade quando se toca nelas.

Acho interessantísssimo o modo como ele se desenvolve, um grande “bafo” para a época que foi filmado. Fiquei pensando e analisando aqueles dois no bar e aquela mulher linda e francesa bebendo cerveja como quem precisa daquilo para poder desabafar. Não tinha limites, não haviam esconderijos para aquela conversa e aquela cumplicidade que se formava ali.

É tão duro ter que esquecer. É tão difícil falar do passado, mas ao mesmo tempo, é incrível como com algumas pessoas isso acontece sem nenhum planejamento, é espontâneo. E era assim que acontecia entre aqueles dois.

Também interessante e chocante, são as cenas iniciais, onde mostram imagens das catástrofes causadas pela maldita bomba atômica que por lá destruiu tantas vidas, deformou tantas pessoas, acabou com tantos sonhos.

Além de ser um grito revoltado contra o acontecido, ele retrata a verdade das relações humanas no seu mais profundo modo. A memória, que lembra tanto as coisas de Kar-wai.

Não consigo não assimilar obras da Nouvelle Vague francesa ao cinema de Kar-wai. Godard, Resnais…

Fica aqui a dica, para quem não viu e para quem viu há muito tempo, como eu, vale a pena assistir novamente com outros olhos, talvez mais maduros e amaciados pelas memórias e a passagem do tempo.

Happy Together – revendo

•julho 18, 2009 • 3 Comentários

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Ontem revi Happy Together, o meu filme super master ultra ativante de choro. Não acha que tem dias que a gente precise chorar? Abraçar o travesseiro e chorar muito. Depois disso tudo, de toda a água correr, talvez, ou sempre, se sinta mais leve. Fiquei analisando as cenas, e como sempre, kar-wai usa a água como canal de resolução e resumo das tristezas. Resolução não, pois na real tem dores que nunca passam. Porém, acredito que é uma expressão das tentativas de se libertar da dor. Assim é o que nos passa as horas de Tony Leung nas beiras de Iguaçu. Assim nos parece a luminária que mostra as cataratas, como que aquele levar das águas levassem também nossas dores mais profundas e irremediáveis. Foi assim em In the mood for love, quando mostra as chuvas nas luminárias das ruas escuras. Quando mostra os dois correndo e se esquivando da água que caía dos céus. Eles ainda não queriam se libertar daquilo. Por isso fugiam da chuva. Happy Together tem uma coisa impressionante comigo. Ele tem o dom de me fazer pensar que a vida não é fácil e as resoluções nem sempre são as mais apropriadas porque sempre tem um outro lado envolvido. Naquele caso um amor, ou uma dependência por estar só em um lugar distante de casa. Sinto que quando Tony começa a amizade com a personagem de Chen Chang, ele já se sente menos desprotegido, se sente mais forte para não atender aos apelos do outro. E aquela amizade é tão marcante e bonita, que o abraço que eles dão quando se despedem, faz com que a gente esboce um pequeno sorriso. O modo como a cena foi filmada é genial. Você pode sentir o bater dos corpos e o carinho do abraço de amigo. É como se pudéssemos abraçá-los também.


“Imagine how the world could be

So very fine.
So happy together”

The Turtles – Happy Together

A moment in June

•junho 16, 2009 • 3 Comentários

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A moment in June ( Na Ka-na Rak) es una drama romántico escrito y dirigido por el tailandes “O” Nathapon Wongtreenatrkoon y protagonizada por Shakrit Yamnarm, Krissada Sukosol, Sinitta Boonyasak, Deuntem Salitul, Suchao Pongvilai, Napaskorn Mit-Aim y Hiro Sano. Hay quienes como yo reconoceran el nombre de Sinitta, por su hermosa actuación en Last Life in Universe.

Con fuertes referencias al cine de Wong Kar-wai, la película relata tres momentos en distintos tiempos: un director de teatro que está a punto de terminar con su novio en 1999, un triángulo amoroso ocurrido en 1972 y por último en el presente una pareja de ancianos se reune después de muchos años separados. Al igual que las 60’s movies de WKW, Nathapon refleja una época a través de la visión o el recuerdo de otras película tailandesas de los 70’s y de la música, utilizando en especial una vieja canción tailandesa “Tha Charom” de Charoen Nathanakorn.

Aquí el trailer:

gemas e ostras

•junho 4, 2009 • Deixe um comentário

O top ten de filmes que relacionam comida e sexo deste blog destaca dois momentos do curioso Tampompo.

Sexy, delicado e nada explícito, a comida é uma metáfora cênica muito bem aplicada. Eu adorei. E vocês?

Roubado daqui.

O escritor e a andróide

•maio 26, 2009 • 2 Comentários

Uma cena extranha, poética e comovente.

A insustentável leveza das partidas

•maio 25, 2009 • 5 Comentários

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A Partida  (Okuribito, 2008) é o filme japonês a receber um Oscar em 2008. E o texto começa a partir desta informação não por que os prêmios da academia sejam parâmetro de qualidade no universo das pessoas que fazem este blog – ela compartimenta o mundo inteiro (fora dos EUA) na categoria de cinema estrangeiro e os vencedores costumam ser filmes realizados em países de maioria caucasiana, fatos que, por si, são um atestado de etnocentrismo. Mas, sim, foi a premiação que me fez tomar conhecimento dele.

Como participava de um bolão, assisti à cerimônia pela TV e fiquei surpresa ao ver o azarão japonês desbancar a favoritíssima animação israelense Waltz with Bashir  – uma bela esquivada americana, não premiando um filme com implicações políticas evidentes. Contradições à parte, Okuribito é um filme que merece ser reconhecido e certamente será apreciado por grandes platéias pois tem todos os elementos que fazem um bom melodrama. Uma bela canção incidental, que por vezes dá “voz” ao sentimento do personagem central, atores sensíveis e expressivos e uma direção que prima pelo intimismo.

A câmera se coloca como o olho do observador, numa perspectiva que nos faz sentir comodamente sentados naquele canto da sala em que podemos conhecer o entorno das personagens e a intimidade de suas casas: onde e o quê comem, os detalhes da porcelana sobre a mesa, onde dormem, onde se banham, os objetos em sua escrivaninha, os vasos de plantas estrategicamente espalhados, o lugar em que assistem TV e, principalmente, suas ante-salas, fechadas para os rituais restritos aos pequenos círculos de amigos e familiares.

Para falar da estranheza da morte numa cultura que a repele, o diretor Yojiro Takita ritualiza a preparação dos mortos para os funerais, nos ensinando a lógica das partidas. 

O filme aborda algumas questões que parecem ser recorrentes no cinema japonês: a valorização do trabalho, a família e a devoção pelo cotidiano. Sua grande qualidade é fazer com que estes três eixos da existência conversem e cheguem a uma conclusão, tendo a morte como cenário. Ao final, percebemos que a fatalidade da vida é trivial como qualquer outra coisa dentro desta.

E isto acontece quando acompanhamos a trajetória do nosso herói Daigo Kobayashi, um rapaz que trocou a cidade pequena pelas grandes possibilidades de Tóquio para realizar o sonho de seus pais: ser um músico notável. Um destino traçado quando, ao três anos, ele ganha do pai um violoncelo.

carta de pedra

Quando finalmente se tornar violoncelista da orquestra de Tóquio, logo após a sua primeira apresentação ele recebe a notícia de que, sem patrocínio, a orquestra estava desfeita.
Vendo o sonho de uma vida desmanchar diante dos seus olhos, ele percebe, com certo alívio, que talvez ser músico não fosse uma escolha sua. Decide recomeçar e propõe a sua  esposa Mika (Ryoko Hirosue), uma jovem web designer esfuziante o tempo inteiro, que tentem a vida em sua cidade de origem, onde poderiam estabelecer-se na casa que sua mãe havia lhes deixado como herança. Com espírito otimista e assumindo a postura cuidadora que a cabe às mulheres nos momentos de adversidade, a moça consente, e segue os rumos do marido.

E é lá que ele se depara com a inusual e constrangedora oferta de trabalhar como assistente numa empresa funerária. Emprego que aceita cabisbaixo, também para cumprir sua tarefa de prover o sustento de sua pequena família (sim, estamos falando do Japão, onde a honra do homem é estreitamente associada ao seu papel como provedor e ao desempenho no mundo do trabalho).

E o filme nos faz refletir sobre esse “valor” ao nos mostrar uma tarefa depreciada por quase todas as pessoas da trama sendo executada com tanta beleza e reverência.

A preparação dos cadáveres, com a leveza e o detalhe próprios da cultura japonesa, mostra-se uma arte zen e similar aos arranjos florais ou à pintura em aquarela, o que torna mais digno o ato da despedida.

departures

Daigo faz de seu novo emprego e dessa nova relação com a morte um reencontro com sua própria história.  Para isto, no entanto, precisa revirar as caixas tormentosas do passado e realizar as suas próprias despedidas.  Junto com ele, aprendemos sobre a importância das coisas simples dessas nossas vidas breves.

Okuribito é filme para enternecer. Conta com bela fotografia, cenografia bem cuidada e excelentes atores – inclusive os coadjuvantes. E tudo isto ao som de violoncelo.

Drops

:: A idéia original do filme partiu do ator Masahito Motoki, após ler um livro sobre a cerimônia do Noukan (acondicionamento dos mortos).

:: O título original “Okuribito” significa  “enviar pessoas” (no site do imdb:”the sending [away/off] people”) , mas essa palavra não é comumente usada no Japão.

:: Motoki fez laboratório, atendendo a cerimônias funerárias e também estudou violoncelo.

:: O filme foi rodado em dez anos.

:: O diretor estava muito receoso quanto à recepção do filme, já que  a morte é um grande tabu no Japão.

Fontes: Wikipédia, imdb.